sexta-feira, 10 de novembro de 2017

BRT afirma que tem prejuízo de R$ 1,4 milhão por mês com vandalismo, mas não tem data para fim de trecho na Transoeste

10/11/2017- Bom Dia Rio

De acordo com a representante do consórcio, os problemas na área de segurança são mais graves do que a administração do sistema poderia resolver.

BRT Transoeste terá estações fechadas

O consórcio que administra o BRT Transoeste afirma que tem um prejuízo de cerca de R$ 1,4 milhão por mês para consertar objetos depredados em estações e ônibus. Eles afirmam que quase ninguém paga passagem na Avenida Cesário de Melo. Assim, 22 estações serão desativadas no trecho entre Santa Cruz e Campo Grande.

“Nós vamos encerrar as operações em todo o eixo da Avenida Cesário de Melo, que vai de Curral Falso até o Terminal Campo Grande”, explicou Suzy Ballousier, gerente de Relações Institucionais do BRT-Rio.

De acordo com a representante do consórcio, os problemas na área de segurança são mais graves do que a administração do sistema poderia resolver.

“A gente tem que entender que existem diferentes problemas relacionados à segurança. A segurança prevista no contrato é uma segurança patrimonial. A gente chega e vê esse pessoal uniformizado tomando conta, ajudando na organização das estações do BRT. Mas é tiro, é incêndio. Isso não é uma questão patrimonial, isso é uma questão de segurança pública e os nossos apelos têm sido nesse sentido”, destacou Suzy.

A desativação das estações ainda não tem data, segundo o BRT. Mas de acordo com a representante, isso poderia acontecer em dias ou semanas. A gerente de Relações Institucionais do sistema mais uma vez afirmou que as empresas de transporte estariam em crise e disse que a Secretaria Municipal de Transportes foi notificada várias vezes.

“O que você tem reparado que as linhas alimentadoras estão deixando de circular, isso é por causa da crise das empresas. O BRT não tem frota, ela é das empresas. Na medida em que a gente não recebe a frota suficiente, nós temos dificuldade de operar o sistema inteiro. Nós estamos operando no limite dos ônibus”, afirmou Suzy Ballousier.

A representante do BRT afirmou ainda que aguarda a Secretaria Municipal de Transportes entrar em contato com as empresas de ônibus e sugira alternativas para o sistema.



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Colúmbia Auto Ônibus

1956


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Garagem da Viação Oeste Ocidental é fechada por determinação da Justiça

24/09/2009 - O Globo

RIO - A Justiça determinou nesta quinta-feira o fechamento da garagem da Viação Oeste Ocidental. Com isso, toda a frota da empresa foi retirada de circulação, e a Secretaria Municipal de Transportes montou esquema emergencial para atender os passageiros das linhas operadas pela Oriental. A decisão veio um dia depois que a juíza Márcia Cunha, da 2ª Vara Empresarial, mandou prender o empresário Norberto Rocha, um dos donos da empresa, por desrespeitar a decisão judicial de retirar das ruas todos os 262 ônibus da linha 397 (Campo Grande-Praça Tiradentes).

A garagem foi lacrada na madrugada desta quinta-feira. De acordo com a decisão, a Ocidental só será reaberta se pagar R$ 1 milhão. Além disso, a juíza dobrou o valor da multa, passando-a para R$ 300 mil por dia caso a decisão seja descumprida. A expectativa da secretaria é que as linhas da Ocidental estejam totalmente cobertas até o final do dia. (Veja fotos da Viação Ocidental lacrada e do protesto dos funcionários)

No esquema montado pela secretaria de Transportes, a Linha 397 será coberta por ônibus das empresas Amigos Unidos, Viação Campo Grande e Viação Bangu. As linhas 746, 747, 748 e 786, pela Jabour; as linhas 811, 812 e 819, pela Viação Bangu; e a linha S-27 pela Pégaso. De acordo com a secretaria, as demais linhas já estavam operando em sistema de pool desde maio deste ano.

Motoristas denunciam problemas em ônibus da empresa

Em entrevista ao telejornal RJTV, da TV Globo, um funcionário da Viação Ocidental, que não quis se identificar, afirmou que os ônibus da empresa estão sucateados.

- Os ônibus não são revisados, não têm manutenção, não têm peça, os consertos que são feitos são feitos com peças tiradas de outros carros que estão na sucata, que batem. Estão tirando peças daquele carro 201, que caiu no viaduto, e colocando nos outros para trabalhar - diz o homem.

Há muito tempo, os passageiros reclamam da situação precária dos ônibus da Ocidental. Só nos últimos cinco meses, 62 veículos da empresa que não tinham condições de circular foram apreendidos em fiscalizações da prefeitura. No início do mês, um ônibus da Viação Ocidental se envolveu num grave acidente que deixou pelo menos três mortos e 25 feridos na Avenida Brasil, estava irregular. De acordo com a secretaria municipal de Transportes, o coletivo estava sem a vistoria.

Desde maio, outras empresas reforçam as linhas da Viação Ocidental, que tem até o fim do ano para regularizar a situação e pagar as multas pendentes. Com a decisão judicial, todas as 25 linhas da viação foram redistribuídas. Em março, a Ocidental sofreu intervenção do município do Rio depois que duas paralisações de funcionários deixaram milhares de moradores da Zona Oeste sem transporte. Eles reclamavam de atrasos nos salários e falta de condições de trabalho.

domingo, 1 de outubro de 2017

Niterói-RJ. TransOceânica em nova etapa

01/10/2017 - O Fluminense


postado por Jorge Mattos 

A TransOceânica vai entrar em uma nova etapa neste mês de outubro. Na primeira quinzena será entregue o Plano Operacional do BHS (Bus of High Level of Service), ônibus que irá circular em faixa exclusiva fazendo o percurso do Engenho do Mato até Charitas, passando por 13 estações e pelo túnel, com o tempo médio de 25 minutos. 

Segundo o prefeito Rodrigo Neves, foi determinada a aceleração do cronograma de obras, o estudo sobre a implantação do veículo está sendo finalizado e o projeto ainda pode receber novidades.

“O plano será detalhado este mês, mas também incluímos nele um estudo para implantação de um ônibus elétrico, o que iria contribuir imensamente para o meio ambiente, evitando a poluição. Mas ainda estamos analisando a possibilidade”, explicou.

Com o início da atividade do BHS, o primeiro implantado na América do Sul equipado com ar-condicionado e portas de ambos os lados, os moradores da Região Oceânica poderão embarcar nos veículos em estações localizadas nos seus bairros e em seguida ele entrará em pista exclusiva. No projeto, o corredor ainda contará com uma integração para a estação dos catamarãs de Charitas. 

Sustentabilidade – O prefeito Rodrigo Neves destacou também a importância da sustentabilidade e melhoria na mobilidade urbana com o término das obras da TransOceânica. No projeto, haverá a implantação de uma ciclovia de aproximadamente 60 quilômetros.

“Trabalhamos com o conceito de tornar Niterói uma cidade mais moderna e evoluída. Tão importante quanto a inauguração do túnel Charitas-Cafubá, que integra a obra, é evoluir o município com sistema sustentável, desenvolvendo assim uma cidade melhor para a atual e futuras gerações”, declarou.

Integrando o cenário, a prefeitura ainda irá inaugurar um bicicletário na Região Oceânica. Com previsão para ser aberto ao público no primeiro semestre de 2018, o espaço dedicado às bikes ficará no trevo do shopping Itaipu Multicenter.

Obra – O trecho 5 da TransOceânica, que vai do shopping Itaipu Multicenter até o DPO do Cafubá, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, receberá uma ampliação de pistas. Segundo Rodrigo Neves,  a mudança irá melhorar a mobilidade do local. 

“Com a alteração, a tendência é reduzir o engarrafamento e trazer maior fluidez para a região. No total da obra, os trechos 2, 3, 4 e 7 já foram concluídos e o trecho 1 já está em fase de finalização”, explica. 

O trecho 6, localizado entre o Itaipu Multicenter e o Supermercado Diamante, iniciou mais uma etapa. As pistas sentido Centro da Estrada Francisco da Cruz Nunes, entre o banco Santander e a Rua Jornalista Carlos Vilhena (próximo ao shopping Plaza Mayor) estão interditadas ao trânsito. Já o trecho 8, que vai da rótula da Av. Central até a entrada do Engenho do Mato, estará concluído até a primeira quinzena de dezembro, segundo Rodrigo. 

Ainda de acordo com o prefeito, toda parte pesada da TransOceânica estará concluída no primeiro trimestre de 2018, com a previsão de que 9,5 quilômetros da Avenida Almirante Tamandaré estejam prontos, restando apenas 500 metros para finalização: “Esta etapa irá reduzir os transtornos para o verão, quando a Região Oceânica é muito procurada”, pontuou.

Neves ainda destacou a transformação da Estrada Francisco da Cruz Nunes, que era considerada pela população como um local degradado.

“As mudanças estão tornando o espaço mais amigável para os pedestres. Estamos colocando na via galerias de aproximadamente 4 metros para reduzir enchentes e alagamentos, que são comuns em época de chuvas. Obras de grande complexidade trazem transtornos momentâneos, mas a finalização das intervenções nesta via acontecem na primeira semana de dezembro”, concluiu.

De acordo com a prefeitura, a TransOceânica terá 9,3 quilômetros de extensão, atendendo a 11 bairros e transportando cerca de 80 mil pessoas diariamente. O túnel Luís Antônio Pimentel (Charitas-Cafubá) foi o primeiro passo da obra, e foi inaugurado no dia 6 de maio. Até o momento, mais de quatro milhões de veículos passaram pela estrutura.

Informações: O Fluminense

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Auditoria mostra poder de empresários sobre ônibus no Rio e má gestão da Prefeitura

14/09/2017 - G1 Rio

Consórcios definem alterações em linhas, frotas e pontos de ônibus. Relatório também apontou falta de controle dos custos, baixa qualidade dos ônibus e concentração de passageiros. Ex-prefeito Eduardo Paes diz que acatou sugestões da auditoria durante a sua gestão.

Por Cássio Bruno, G1 Rio

Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)
Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

Uma auditoria contratada durante a gestão de Eduardo Paes (PMDB) fez um raio-X do sistema de transporte no Rio e constatou que os empresários tomam as principais decisões sobre linhas, frotas e pontos de ônibus. Isso porque a Prefeitura não tem equipe qualificada para fazer a gestão. Também foram apontados problemas como altas tarifas, a falta de controle dos custos, a baixa qualidade dos ônibus e o desrespeito a regras.

O estudo, que custou R$ 10,4 milhões, foi feito pela PricewaterhouseCoopers (PwC) entre 2014 e 2016, na sequência dos protestos de 2013 sobre as tarifas do transporte público.

O site Agência Pública conseguiu o relatório por meio da Lei de Acesso à Informação, e o G1 confirmou as informações divulgadas.

Veja as principais conclusões da auditoria:

“Consórcios e Rio Ônibus propõem a maior parte das alterações em linhas e frotas”.

A Prefeitura tem dificuldades para avaliar as propostas e fazer mudanças na malha rodoviária.

As tarifas são definidas com base em custos que não são controlados e ficam maiores do que deveriam.

A Secretaria de Transportes não tem pessoal qualificado para analisar as tarifas e discutir os reajustes pedidos pelas empresas.

Não há acompanhamento da destinação das tarifas.

A distribuição de passageiros de ônibus é irregular: 70% das pessoas usam 33% das linhas.

54% das linhas tem mais de 50% de sobreposição.

59% das linhas não cumpriam a determinação do tamanho da frota em 2014.

Custo da tarifa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é mais elevado que em São Paulo, Londres e Buenos Aires.

Revisão integral da malha rodoviária poderia proporcionar economia de R$ 0,75 a R$ 1,25 no preço da passagem.

A frequência mínima entre os ônibus não é respeita nem no horário de pico.

Incidência de alta velocidade, com ônibus passando de 80 km/h, principalmente no período noturno.

Há cobrança de taxa para a recarga do Bilhete Único Carioca, que não é cobrada em outras cidades que utilizam sistema similar, como São Paulo, Curitiba e Nova Iorque.

Alguns consórcios operam linhas com tamanho da frota inferior ao determinado e nem sempre cumprem os trajetos.

A auditoria da PwC foi feita por meio de trabalho de campo, análise da situação financeira das empresas de ônibus, dados de localização dos coletivos (GPS) e entrevistas com equipes da prefeitura e funcionários das viações.

A consultoria teve acesso a informações financeiras de 41 empresas e identificou que em apenas cinco delas – Jabour, Pégaso, Real, Redentor e Futuro – estavam concentradas quase um terço da receita do sistema de transporte em 2013. A maior delas, a Jabour, pertence à família de Jacob Barata Filho, conhecido como "rei do ônibus" e investigado pela Operação Lava Jato.

Ele foi preso em 2 de julho acusado de ter pago propina a autoridades do Rio para conseguir facilidades em seus negócios. Mas ganhou direito à liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O G1 entrou em contato com o Grupo Guanabara, da qual a Viação Jabour faz parte, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta. O G1 ainda não conseguiu contato com as empresas Futuro, Real, Redentor e Pégaso.

Procurado, o consórcio Rio Ônibus afimou que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro (veja íntegra da nota ao final do texto).

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes afirmou que "está revisando o processo da racionalização” e desenvolvendo um estudo para conhecer as necessidades dos usuários e melhorar os serviços prestados. A pasta afirma ainda que mantém a fiscalização e “monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios”.

O ex-prefeito Eduardo Paes divulgou nota que na época da divulgação do estudo, a prefeitura acatou sugestões por meio de lei aprovada na Câmara. “Incrementou-se a estrutura da Secretaria [de Transportes] para fazer frente a suas enormes responsabilidades. Além disso, a prefeitura realizou a primeira licitação na área de transportes na história da cidade. O estudo apontava que era preciso ter mais concentração administrativa (saímos de quase 60 empresas para 4 consórcios com a licitação), apesar de vários membros da oposição terem chamado essa prática de 'cartelização' do setor”, disse o ex-prefeito (leia a nota na íntegra no fim desta reportagem).

Procurada pelo G1, a PwC afirmou que não está autorizada a divulgar informações sobre o trabalho contratado pela prefeitura.

 (Foto: Arte/G1)
 (Foto: Arte/G1)  

Sistema ineficiente

Segundo os auditores da PwC, o Rio possui um sistema ineficiente, com 541 linhas e 8.819 ônibus. Nos documentos, eles descreveram o setor como “concentrado na solução dos problemas emergenciais” sem atuação proativa e “voltado para o planejamento das ações”.

Tarifa poderia ir a R$ 1,05

O levantamento da PwC mostrou, já em 2014, que a prefeitura tinha a seu alcance um conjunto de meios para baixar o preço da passagem. Naquele ano, o município aumentou a passagem em 20 centavos sob a justificativa de instalar ar-condicionado na frota. No início deste mês, porém, esse reajuste foi derrubado por uma decisão da Justiça.

Para os peritos da PwC, caso houvesse um trabalho de combate a fraudes e uma adequação de horários e frota, a redução da tarifa poderia ser entre 30 a 80 centavos. E mais: o desconto que a revisão integral da malha poderia proporcionar para o preço da passagem era de 75 centavos a R$ 1,25. Isso quer dizer que o usuário que pagava uma tarifa de R$ 3 à época desembolsaria apenas de R$ 1,05 a R$ 2,05.

O estudo chegou à conclusão que os problemas do sistema de transporte rodoviário da cidade são causados, sobretudo, por três fatores: concessão de poder excessivo aos empresários, incentivos que favorecem a maximização da receita em prejuízo da eficiência e o fato de toda concessão atual ter sido construída sobre um legado anterior.

Passageiros concentrados

O estudo constatou que, das 541 linhas de ônibus, 278 (ou 54%) estão com trajetos sobrepostos, provocando gargalos de trânsito nas principais avenidas do Rio.

Outro detalhe do diagnóstico mostra que 70% dos passageiros dos ônibus são transportados em apenas um terço das linhas.

Irregularidades

De acordo com o estudo, nem todos os dados puderam ser levantados. Um deles foi o ganho com investimentos financeiros da RioCard com o uso dos recursos da tarifa. O lucro conseguido com a venda de publicidade em ônibus também não foi determinado.

A auditoria aponta que, apesar do cenário favorável aos empresários, muitas empresas operam com lucro abaixo do previsto – dívidas e investimentos feitos nos primeiros anos de funcionamento poderiam explicar esse quadro.

A PwC revelou que que as dívidas chegam a representar até 80% dos bens de algumas viações. Uma delas era a Santa Maria, cujo percentual era de 93% - a empresa entrou em processo de falência em 2017.

Em 2012, o custo da operação do sistema de transporte rodoviário carioca foi de R$ 1,8 bilhão – quase 60% desse total foi direcionado à compra de combustíveis e pagamento de motoristas. Naquele ano, o resultado ficou negativo em R$ 25 milhões. No entanto, os auditores apontaram que os níveis de investimento pareciam acima da média para o longo prazo.

Várias irregularidades foram constadas no bilhete eletrônico. Entre elas, 24.648 beneficiários estavam com mais de um cartão com passe livre ativo, de um total de mais de dois milhões de cartões. Além disso, 453 cartões não autorizados tinham registros de 3.452 transações de gratuidade.

O que dizem os citados

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes ressaltou que "está revisando o processo da racionalização e desenvolvendo um estudo minucioso conforme dados obtidos em pesquisas de campo, registros do 1746 e demandas recebidas pela Ouvidoria da pasta".

Segundo a secretaria, "o objetivo do levantamento, acompanhado pela Comissão de Transportes da Câmara dos Vereadores, é conhecer as necessidades e reivindicações dos usuários que sofreram com a retirada e alteração de linhas de ônibus e buscar melhorias nos serviços prestados à população".

A pasta destacou ainda que "mantém fiscalização e monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios vencedores da licitação realizada na gestão anterior. Os mesmos têm a obrigação contratual de manter o serviço operando de forma contínua e adequada para a população".

Leia as respostas enviadas pelo ex-prefeito Eduardo Paes:

“Inicialmente deve se esclarecer que as ações na área de transportes não cabiam ao ex-prefeito e sim a secretaria municipal responsável pela área. Durante a auditoria, que começou em 2014 e seguiu até o fim de 2016, várias sugestões foram acatadas pela Secretaria Municipal de Transportes tais como: racionalização das linhas de ônibus (que tantas reclamações gerou, inclusive pela oposição)e criação de corredores BRT e BRS para maior eficiência; melhoria do sistema de bilhetagem eletrônica; renovação da frota para ônibus climatizados nas 150 linhas mais carregadas que conduzem 70% das viagens; reestruturação da SMTR e contratação de fiscais e engenheiros por concurso; uso do COR para monitoramento da frota por GPS; ampliação dos postos de venda e recarga de cartões (agora reduziram muito) e bilhetagem passou de 40% para 80% das viagens.

A partir da auditoria a SMTR realizou a reestruturação da secretaria e ainda estabeleceu a contratação de mais fiscais e engenheiros por concurso (projeto de lei já aprovado na Câmara do Rio). O concurso de 2015/2016, por exemplo, foi orientado pela PwC e contratou economistas para a secretaria.

Reajuste de tarifa anual se faz através de fórmula com índices de inflação dos insumos empregados. Em 2015 e 2016 a prefeitura determinou a troca de mais de 3 mil ônibus comuns para climatizados, investimento esse que não consta no contrato de licitação como obrigação, por isso foi repassado para a tarifa, conforme foi amplamente divulgado à época. Os meios apontados pela PwC para aumentar a eficiência do sistema e, com isso, poder exigir novos investimentos em qualidade ou reduzir tarifa são reformas de longo prazo como fusões administrativas e racionalização de linhas (que foi duramente criticada pela imprensa e foi suspensa pela atual administração). Como já foi dito, muitas dessas medidas foram iniciadas na gestão passada e devem prosseguir até que seja realizada a revisão tarifária, prevista em contrato para ser feita a cada 4 anos, aproximadamente. Vale ressaltar que o próprio estudo aponta que o lucro das empresas era menor do que o previsto, que alguns consórcios davam prejuízo e que era preciso ter mais concentração administrativa, aprimorar desempenho do sistema para melhorar a gestão e só assim poder reduzir tarifa. Outro ponto que deve ser destacado é que a análise feita pela Agência Pública coloca São Paulo como exemplo tarifário, mas é preciso lembrar que a tarifa custa R$ 3,80, mas a Prefeitura de SP subsidia o sistema com R$ 3,2 bilhões para os empresários”.

Em relação aos dados da auditoria da PwC, o Rio Ônibus esclareceu que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro.

Veja na íntegra a nota do Rio Ônibus:

"Em relação aos dados da auditoria da PwC divulgados pela imprensa, o Rio Ônibus esclarece:

- O Rio Ônibus não teve acesso ao estudo realizado pela PwC, o que dificulta uma análise técnica e precisa sobre os dados divulgados parcialmente pela imprensa;

- O Rio Ônibus tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro. É de conhecimento público que o sistema está perto do colapso, com o fechamento de sete empresas e com outras 11 com graves restrições financeiras;

- Como a tarifa atual (R$ 3,60) não é capaz de remunerar o sistema municipal de ônibus do Rio, a auditoria certamente irá considerar o impacto de medidas adotadas unilateralmente pela Prefeitura nos últimos anos, como:

1) Os dois congelamentos da tarifa (2013 e 2017);

2) A inclusão de gratuidades como o Passe Livre Universitário sem indicação de fonte de custeio, o que contraria a legislação;

3) O aumento de 30 minutos no tempo de validade para integração com o Bilhete Único Carioca (BUC);

4) Os custos adicionais com a climatização da frota (estudo da Coppe/UFRJ demonstra que o consumo de combustível é 30% maior nos ônibus com ar-condicionado);

5) Os efeitos da concorrência desleal das vans, principalmente na Zona Oeste.

- O sindicato esclarece ainda que, em 2015, contratou auditoria de renomada empresa da área para analisar os mesmos dados operacionais e financeiros citados pela reportagem. O diagnóstico da auditoria foi encaminhado para a apreciação do poder concedente. Até o momento, os consórcios aguardam uma resposta sobre os dados enviados. O estudo mostra claramente o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, com defasagem no valor da tarifa.

- O setor sempre defendeu a transparência nos dados e a realização de auditorias que analisassem o contrato para sugestão de melhorias no sistema.

- Desde 2010, o Rio Ônibus vem construindo uma equipe multidisciplinar para colaborar com o poder público na melhoria do sistema municipal de ônibus e transformação da mobilidade urbana de uma cidade que recebeu diversos eventos, como a Jornada Mundial da Juventude 2013, Copa do Mundo 2014, Jogos Olímpicos Rio 2016 e o Rock in Rio. Entre os resultados, destacamos a implantação de corredores BRS e BRT, reforçando o transporte público como o principal legado da cidade.

- O setor sempre defendeu a profissionalização da gestão municipal em prol do sistema de transporte público por ônibus que beneficiem diretamente os passageiros.

- O Rio Ônibus informa, ainda, que mantém o repasse periódico e transparente de relatórios exigidos pela Prefeitura, como o Resumo Diário de Operação, Relatório Mensal de Consumo, Boletim de Mão de Obra e Balanço Financeiro dos Consórcios.

Além disso, a frota de ônibus é monitorada em tempo real, já que todos os veículos são equipados com GPS e os dados, transmitidos diretamente para a Secretaria Municipal de Transportes (inclusive via aplicativo)."


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Número de ônibus incendiados cresce no Rio e representa prejuízo à população

12/09/2017 - Extra 

Ônibus é incendidado por criminosos na tarde do último domingo


Annelize Demani 

No último domingo, quatro ônibus foram incendiados no Rio, próximo à Zona Portuária. Esses casos aumentaram ainda mais as estatísticas sobre esse tipo de vandalismo. De acordo com a Fetranspor, 48 coletivos foram alvo de incêndios criminosos na cidade somente em 2017. Esse número é três vezes maior que o registrado durante todo o ano de 2016, quando houve 16 depredações.

Quando o cenário é o estado do Rio, 82 ônibus foram alvo dos criminosos nos primeiros nove meses deste ano. Isso representa quase o dobro de casos em relação ao ano passado inteiro, quando foram contabilizados 43 coletivos incendiados.

Ainda segundo a federação responsável pelas empresas de ônibus no estado, somente um ônibus novo com ar-condicionado custa, em média, R$ 450 mil. Atualmente, os custos de reposição dos coletivos incendiados para as empresas passam dos R$ 56 milhões, uma vez que não há seguro para esse tipo de sinistro.

Com essas depredações, quem sofre é a população. Há todo um tempo gasto desde a encomenda de novos carros até o processo de regularização deles, e o prazo de recolocação de um ônibus pode chegar a seis meses. Durante esse período, de acordo com dados da Fetranspor, um coletivo transporta cerca de 70 mil passageiros na capital.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Prefeitura de Niterói adia licitação para estações da Transoceânica

05/09/2017 - O Globo 

Cláusula do edital é questionada por exigir experiência de engenheiros
   
POR IGOR MELLO 

Estação em Charitas: concorrência para a construção de outras 11 foi adiada porque TCE não liberou edital - Ana Branco / Agência O Globo

NITERÓI - A construção de 11 estações da Transoceânica — orçadas em R$ 36,7 milhões — ganha outro capítulo polêmico. A Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) decidiu adiar a concorrência, que ocorreria nesta segunda-feira, pelo fato de o edital não ter sido liberado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Enquanto isso, empresas envolvidas na disputa contestam itens do edital.

Segundo a prefeitura, a concorrência foi adiada até que o TCE-RJ libere o edital, procedimento burocrático de praxe em contratações públicas. O TCE-RJ, por outro lado, afirma só ter recebido o documento para análise na última quarta-feira. A corte não deu prazo para concluir o processo, mas diz que o processo é rápido: “Após passar pelo corpo técnico, o edital vai para o Ministério Público de Contas e, depois, é sorteado para um dos conselheiros, que prepara o voto e insere o processo na ordem do dia para votação plenária. Não há data para isso acontecer, mas as apreciações de editais são mais céleres”, diz o TCE-RJ, por meio de nota.

Segundo a prefeitura, 12 empresas retiraram o edital, demonstrando interesse em participar do certame. Entre elas estão a Constran e a Carioca Engenharia, que formam o consórcio Transoceânico, responsável pela construção do corredor BHS. Ainda de acordo com a prefeitura, os termos da disputa foram contestados por uma pessoa física e três empresas. Uma delas é a SAS Engenharia, que apresentou no dia 16 de agosto um pedido de impugnação a uma das regras contidas no edital. O artigo polêmico determina que a empresa escolhida para a obra deve ter em seus quadros um ou mais engenheiros que tenham experiência na construção de ao menos cinco estações de BRT. Para Claudio Luiz da Silva, um dos sócios da SAS Engenharia, o item restringe a competição.

— Consideramos que o item estava limitando a competição. Isso (a construção de estações) não tem relevância técnica, porque a exigência deveria ser relativa a estruturas metálicas — argumenta. — O Atestado de Responsabilidade Técnica (ART) que apresentamos é da reforma do Maracanã, obra que tem estruturas metálicas de complexidade técnica infinitamente superior.

A prefeitura defende a exigência. Em nota diz que “o objeto da licitação é a construção de 11 estações de BRT, e como a concorrência é internacional existem empresas no país e em outros países que possuem esta expertise, não inibindo a competição.”

Para o engenheiro civil Antônio Eulálio, especialista em estruturas e ex-conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), a exigência do edital extrapola a comprovação de capacidade das empresas candidatas:

— Estações de BRT não são estruturas muito específicas. Essa exigência pode acabar direcionando a concorrência. O certo seria exigir experiência na execução de estruturas metálicas. Do jeito que está, o edital desrespeita a lei de licitações.

No mês passado, a prefeitura firmou o oitavo aditivo ao contrato, aumentando o custo da obra em R$ 3,8 milhões. Segundo a prefeitura, o acréscimo ocorreu para arcar com pequenas obras como demolições, contenção de encostas e macrodrenagem. O valor da obra passa a R$ 421,4 milhões.

Após O GLOBO-Niterói ter mostrado domingo passado que o Ministério Público (MP)federal apontou, em denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que conselheiros do TCE-RJ receberam propina referente à fiscalização da Transoceânica, vereadores da oposição se movimentaram cobrando providências para apurar o fato. Paulo Eduardo Gomes (PSOL) protocolou um ofício no TCE-RJ, solicitando que sejam reabertos todos os processos relacionados à obra e aos seus contratos aditivos, além da realização de diligências no local. Bruno Lessa (PSDB) vai protocolar esta semana uma denúncia no MPF com possíveis irregularidades no projeto.